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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

PARA GERALDO, MEU GRANDE COMPANHEIRO

PARA MEU COZINHEIRO NESTE ENTARDECER DA VIDA.

Quantas vezes de manhã percebia no fogão evidentes sinais de que alguém de madrugada, sorrateiramente, havia invadido a geladeira em busca, sabem do quê? Lingüiça, bem gorda, atentado fatal a um fígado não muito jovem e com sérias evidências de esteatose. De outras vezes, aquele pratão de feijão com alho e azeite também havia sido motivo de deleite sem fim. A panelinha velha de fazer calda de nega-maluca em muitas manhãs aparecia com uma água cor de laranja. Salsicha com um monte de mostarda e lá vai no outro dia aquelas homéricas cagadas literárias que aos poucos foram se transformando em acirradas competições para ver quem conseguia resolver o caderno de palavras cruzadas, comprado no Silva enquanto eu ia acertando as contas no caixa. Ó vida, ó dor!
Assim se passaram muitos anos. Quantas vezes encontrei o autor destes pequenos roubos, arrumando alguma máquina, ou coisa que o valha, com uma mão e, com a outra, comendo às escondidas salsicha crua, porque o sargentão português naquele dia estava de plantão.
Mas, como tudo tem suas idas e vindas, hoje as coisas mudaram completamente. Não posso mais fazer a ronda da cozinha, das panelas e da geladeira. Problemas de saúde acabaram de vez com minha função de inspetora do lar. Melhor para a família e, para mim, aprendi que não sou de fato tão poderosa e imprescindível como supunha. Não consigo cozinhar, preciso de ajuda para lavar a cabeça e me locomovo pela casa numa cadeira de rodas para não agravar umas feridas que teimam em permanecer nos pés.
Que fazer então? Fácil. Geraldo, meu companheiro, amigo e amor de tantas vidas resolveu assumir mais funções além destas. Virou cozinheiro, faxineiro,
office-boy, trabalha no setor de compras, e me faz uma companhia tão constante e tão doce que às vezes o meu coração fica apertadinho porque sou capaz de perceber exatamente o que ele está sentindo.
Mas vamos por partes. Setor culinária. Vocês já imaginaram um homem que só sabe fritar lingüiça, fazer salada de feijão e ferver umas salsichas ser capaz de cozinhar para alguém que tem sérias restrições na lista de alimentos? Pois é. Depois de um mês de treino e de uma boa vontade sem limites estou me alimentando com refeições saudáveis e de muita qualidade. Frango de panela, picadinho com batata, purê de batata, molho de macarrão à bolonhesa, frango assado e, pasmem, geléia de maçã! Sei muito bem que cozinhar não é a atividade preferida do Geraldo mas como “o amor move o sol e as outras estrelas” aqui estou eu deslumbrada com esta nova revelação.
Pode ser até que eu tenha ficado doente para perceber quantas janelas luminosas esta doce criatura que é o meu marido é capaz de descerrar nesta linda jornada de nós dois e de todos os que partilham de nossa história.
P.S.
No próximo dia 30, Solange e a família, Valquíria e a família virão até Caraguá. Sabem o que Geraldo vai preparar pela primeira vez na sua vida, aos 73 anos de idade? Feijoada no nosso fogão a lenha.
Voltarei a dar notícias.
Caraguá, 26 de junho de 2005.

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SALVAÇÃO

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